terça-feira, 17 de março de 2009

Naquela manhã


Naquela manhã ensolarada, ela se foi. Pela casa, deixara lembranças de sua estadia, em alguns cômodos talvez mais do que isso, deixara sua presença, uma presença ausente percebida todo tempo.
Pela cozinha, o bom dia ecoava solitário à procura do complemento que por tanto tempo fazia das manhãs mais belas e do acordar um exercício menos doloroso.
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Naquela manhã ensolarada, ela se foi. Deu o último abraço, como sempre, sinceramente dado e sinceramente recebido. Braços gratos abraçavam, braços gratos recebiam o apertado, amoroso e doloroso abraço.
Ela se foi. Deixara comigo uma gota salgada, que escorrera pelo sorriso triste de despedida, e o mesmo riso triste. Deixara também mais que isso, mais que qualquer lembrança física, deixara seu exemplo, sua vontade, seu caráter.

Naquela manhã ensolarada, o sol não invadiu a casa, que perdeu o brilho, pois ela, ela partiu.

Um comentário:

Leon K. Nunes disse...

É difícil versar sobre a despedida. Eu diria que há muito mérito nessa elegia, e muito brilho, mesmo que não haja sol.

Bonito blog, encontrei no perfil duma amiga em comum... saudações.